
– O que diferencia a perimenopausa da menopausa e da pré-menopausa?
A perimenopausa se refere a um período de transição na vida da mulher. Nessa fase acontecem flutuações nos níveis dos hormônios sexuais femininos. A função ovariana diminui de forma progressiva, culminando com o término da vida reprodutiva. Com isso, muitas mulheres já começam a apresentar irregularidade menstrual e outros sintomas. Esse período costuma durar entre 2 e 4 anos.
A pré-menopausa, portanto, faz parte da perimenopausa.
Quando o atraso menstrual completa 1 ano, dizemos que uma mulher entrou na menopausa.
– A partir de que idade a mulher deve começar a ficar atenta aos sinais?
A menopausa geralmente ocorre entre os 45-55 anos de idade, sendo em média aos 51 anos. Mas a partir dos 40 anos alguns sinais já podem estar presentes.
Quando a menopausa ocorre antes dos 40 anos é dita precoce, e deve receber atenção especial. Atraso menstrual acima de 3 meses nessa idade merece investigação. Se confirmada a menopausa precoce, o tratamento deve ser iniciado rapidamente.
– Quais são os sintomas mais comuns?
A menopausa não costuma acontecer de repente. A maior parte das mulheres costuma apresentar alterações nos ciclos menstruais por alguns anos antes que eles cessem.
Associado a isto, os sintomas mais comuns incluem os fogachos (calorões) e alterações urogenitais (secura, alterações urinárias).
Problemas do sono, humor depressivo, cansaço, irritabilidade, dificuldade de concentração e memória, dores musculares e articulares, e dores de cabeça também são comuns.
A apresentação varia muito de mulher pra mulher. Os fogachos, por exemplo, podem variar na intensidade e na frequência. Enquanto algumas mulheres têm poucos ao longo da semana, outras podem ter 10 ou mais durante o dia e também à noite.
– Como a perimenopausa pode afetar a libido e a vida sexual?
A queda dos níveis de estrogênio durante a peri menopausa pode estar associada a uma mudança na libido por diversos motivos. A secura vaginal, por exemplo, pode causar desconforto durante a relação sexual.
Fogachos e suores noturnos também podem ser parte do problema.
Além disso, tanto depressão e ansiedade como os medicamentos indicados no seu tratamento podem ser responsáveis pela queda da libido.
Pode haver ainda questões relacionadas a auto estima, qualidade do relacionamento e outras preocupações comuns nessa fase da vida, onde a mulher soma tarefas no trabalho, em casa e com os filhos, e até com o cuidado de amigos e parentes que o exigem devido ao adoecer a ao envelhecimento.
Esta é uma questão complexa que deve ser avaliada caso a caso. Não há solução simples, e é preciso tomar cuidado com o foco exagerado no uso inadequado de hormônios, que podem trazer mais riscos que benefícios.
– Quando a terapia hormonal é indicada, e quando ela deve ser evitada?
A menopausa é uma parte normal da vida e nem sempre precisa de tratamento. Mas quando os sintomas trazem desequilibrio físico e/ou emocional, existem tratamentos seguros e eficazes disponíveis.
Para mulheres sem contraindicações pode-se recorrer à terapia hormonal, composta por estrogênio e progesterona. Mulheres que tiveram o útero removido podem ser tratadas apenas com estrogênio, sempre após avaliação clínica detalhada.
Para algumas mulheres os riscos podem superar os benefícios. Na presença de contraindicações para terapia hormonal, como por exemplo câncer de mama, útero, sangramento uterino não diagnosticado, problemas no fígado, histórico de trombose venosa e doenças cardiovasculares, a terapia hormonal não deve ser iniciada.
Para mulheres que apresentam contra indicações, ou optam por não fazer terapia hormonal, existem algumas alternativas para tratar os sintomas da menopausa.
– Ainda é possível engravidar durante a perimenopausa? Até quando é recomendado usar métodos contraceptivos?
Apesar da queda na fertilidade, mulheres na perimenopausa merecem cuidados contraceptivos. É importante lembrar que uma gravidez nessa fase da vida traz mais riscos tanto para a mãe quanto para o bebê.
De forma geral, os métodos contraceptivos podem ser suspensos aos 55 anos.
Também é seguro suspender após 2 anos de instalada a menopausa em mulheres abaixo dos 50 anos, ou 1 ano após, se acima de 50 anos.
– Que mudanças no estilo de vida fazem mais diferença para aliviar os sintomas?
– alimentação saudável
– atividade física
– bem-estar mental
– evitar substâncias tóxicas (tabagismo, etilismo)
– sono reparador
– relacionamentos saudáveis
Com esses cuidados tanto os sintomas da menopausa como o bem estar geral e o melhor controle de possíveis condições de saúde associadas podem melhorar de forma importante.
– Em que momento a mulher deve procurar um especialista?
Certamente assim que aparecerem.os primeiros sintomas, mas é importante lembrar que um acompanhamento com um endocrinologosta e metabologista pode proporcionar não apenas o diagnóstico e tratamento da perimenopausa e da menopausa, mas pode preparar a mulher para chegar nessa fase conhecendo quais batalhas deve lutar.
É importante abordar a saúde global da paciente e assumir uma conduta preventiva com base em orientação de mudanças de estilo de vida, diagnóstico e tratamento de possíveis deficiências nutricionais, e medidas de prevenção da ganho de peso e de perda de massa muscular, esperadas nessa fase da vida.
– Como diferenciar sintomas da perimenopausa de problemas na tireoide, depressão ou outras condições?
Pode ser difícil diferenciar os sintomas da perimenopausa relacionados às alterações hormonais típicas da fase, de outras alterações decorrentes do envelhecimento ou de eventos comuns nesta fase da vida, como a saída dos filhos de casa, problemas no relacionamento, questões profissionais, ou a perda / doenças de entes queridos.
Além disso, uma série de problemas de saúde se tornam mais comuns com o envelhecimento, como disfunções da tireoide, diabetes, doenças cardiovasculares e tantas outras. Então, é importante entender que os sintomas não dependem apenas de flutuações hormonais, mas da soma de experiências que cada mulher vivencia.
Por isso é importante encarar a fase como uma oportunidade de definir quais peças são responsáveis pelos sintomas através de uma avaliação clínica completa, associada aos exames complementares pertinentes a cada caso.
Com isso é possível escolher, junto com a paciente, estratégias de tratamento e também de prevenção de situações a que cada mulher está mais predisposta. É hora de fazer escolhas que podem garantir não só uma saúde melhor, como também a manutenção da capacidade física e boa qualidade de vida no futuro.
Autora: Daniele C. Tokars Zaninelli, endocrinologista em Curitiba.