É através da vitamina D que conseguimos absorver o cálcio dos alimentos que ingerimos e depositá-lo de forma eficiente nos ossos, tornando-os saudáveis. Esta é a sua ação mais conhecida, porém pesquisas recentes têm demonstrado que a vitamina D interfere em várias outras funções orgânicas, tais como: no sistema imunológico, na prevenção e no tratamento de alguns tipos de câncer, no sistema cardiovascular protegendo de doenças como o infarto, na prevenção e na melhora do diabetes, entre outras.

Concentrações adequadas são importantes para evitar o raquitismo nas crianças e osteomalácia, osteopenia e osteoporose nos adultos. As gestantes também devem estar atentas, pois nessa fase, assim como na amamentação, as necessidades de cálcio e vitamina D estão bastante aumentadas.

Os alimentos normalmente contém quantidades diárias insuficientes de vitamina D. As principais fontes alimentares são os óleos de fígado de peixe e os peixes de água salgada como a sardinha, o arenque, o salmão e a sarda. Os ovos, a carne, os leites e a manteiga também contém pequenas quantidades. Alguns alimentos tem recebido suplementação de vitamina D, mesmo assim dependemos muito da luz solar para garantir estoques adequados desta vitamina no organismo.

A produção ocorre através da exposição da pele à irradiação ultravioleta do tipo B – UVB. A exposição diária ao sol por ao menos 20 minutos sem protetor solar conseguiria garantir uma produção adequada da vitamina, desde que em condições ideais, como exposição nos horários de sol mais forte, levando-se em conta que a estação do ano, a pigmentação da pele, a idade, a presença de obesidade e de doenças como insuficiência renal ou hepática também influenciam a sua produção.

Isso tudo somado ao estilo de vida moderno e ao sedentarismo fazem com que mesmo em um país ensolarado como o Brasil esteja se desenvolvendo uma “epidemia” de deficiência de vitamina D. Cerca de 30% a 50% das pessoas têm deficiência de vitamina D, mesmo aquelas que moram em locais mais ensolarados.

Tomando como exemplo, uma pessoa de 70 anos consegue produzir apenas 20% da vitamina D produzida por um jovem. Nessa faixa etária a reposição assume grande importância porque além de melhorar a qualidade dos ossos, tem efeitos positivos sobre a massa muscular e o equilíbrio, reduzindo o número de quedas, e por conseguinte, o número de fraturas.

O diagnóstico de deficiência de vitamina D é simples, sendo realizado através de sua dosagem sanguínea.

A dosagem deve ser feita nos seguintes casos:

  • mulheres grávidas ou que estejam amamentando;
  • crianças e adultos obesos;
  • indivíduos que estejam em terapia anti-HIV;
  • pessoas com osteoporose e outros problemas ósseos;
  • indivíduos que estejam tomando corticóide;
  • crianças e adultos negros;
  • crianças e adultos hispânicos.

Inúmeros estudos têm demonstrado a importância de se manter níveis adequados de cálcio e vitamina D desde cedo, visto que os indivíduos saudáveis adquirem massa óssea desde a infância e adolescência até atingir seu pico no final da segunda década de vida. Depois disso temos que pensar na manutenção da massa óssea.

O tratamento para deficiência de vitamina D deve ser orientado pelo endocrinologista após avaliação clínica individual.

Se você pertence a um desses grupos de risco, procure seu endocrinologista para uma avaliação.

Escrito por

Especialista em Endocrinologia e Metabologia e mestre pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e atua na área há mais de 15 anos. É ainda membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), da Sociedade Brasileira para o Estudo da Obesidade (ABESO) e da Endocrine Society.

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