41 3121.1001

41 99121.1001

revistaVocê Contra o Diabetes

Há uma epidemia em curso; cabe a nós mudarmos os hábitos que provocam o seu aparecimento

O Diabetes tipo 2 está se tornando uma epidemia, e só você pode fazer alguma coisa a respeito: você, eu, cada um de nós. Segundo Daniele Tokars Zaninelli, endocrinologista dos Hospitais VITA Curitiba e Vita Batel, hoje aproximadamente 15% da população brasileira tem diabetes; em 1980 esse número era de 7,5%. Esse crescimento está diretamente ligado ao aumento do número de pessoas acima do peso, já que a obesidade é o principal fator de risco para quem tem predisposição ao diabetes tipo 2. Os primeiros sintomas do diabetes costumam ser vontade frequente de urinar, muita sede, cansaço e visão turva. "A maioria das pessoas se assusta muito quando ouve o diagnóstico, diz que é só uma glicose aumentada", comenta Daniele.

Para diminuir a incidência de diabetes tipo 2, é preciso melhorar os hábitos alimentares e praticar atividades físicas regularmente. Não estamos dizendo que seja fácil: na verdade o atual modo de vida (ao qual a maioria de nós é induzido) é o principal motivador desse problema; é preciso certa energia e disposição para adotar um comportamento mais saudável. Você pode pensar nisso como um investimento: uma mudança hoje irá lhe poupar saúde, gastos e sofrimento no futuro. Na dúvida, uma consulta ao endocrinologista pode lhe trazer os esclarecimentos e a orientação para ajudar a diagnosticar, prevenir e tratar o diabetes.

Crianças e adolescentes

Fernanda Lourenço Coelho, endocrinologista pediátrica do Hospital VITA Volta Redonda, afirma que tem visto cada vez mais casos de diabetes tipo 2 entre crianças e adolescentes. "Esse aumento está relacionado aos hábitos alimentares e à falta de atividade física na infância", diz Fernanda. Ela se refere principalmente ao consumo de muito açúcar e carboidratos (massas, pães, etc.).

Felizmente uma criança pode vencer o diabetes tipo 2 até sem medicamentos: segundo Fernanda, muitas vezes mudanças na dieta e no estilo de vida são suficientes para normalizar os níveis da glicemia.

Quantidades

Segundo Romina Toledo, endocrinologista do Hospital VITA Volta Redonda, o problema não está apenas na má qualidade da dieta (muito fast-food, poucos vegetais cozidos, saladas cruas e frutas), mas também nas porções exageradas. "As pessoas em geral ingerem muito mais alimento do que necessitam", diz Romina.

Ela explica que o consumo calórico normal de uma pessoa é de 1.000 a 1.200Kcal por dia, e se a pessoa ingere mais do que isso, o excesso vai se acumulando gradualmente na forma de gordura. "O problema está na diferença entre o que é ingerido e o que é gasto", diz Romina. "Quem quer comer mais tem que gastar mais, praticar esporte".

Exercício

A atividade física é uma parte essencial da prevenção e do tratamento do diabetes tipo 2. "Músculos em atividade absorvem glicose e melhoram a eficiência da insulina", garante Daniele. O esporte praticado de forma regular e moderada reduz muito o risco de que a pessoa desenvolva a enfermidade; mas é indispensável consultar seu médico antes de iniciar qualquer atividade, mesmo que você seja jovem.

"O diabetes tipo 2 é uma doença com predisposição genética", diz Juliana C. Romero Rojas Ramos, endocrinologista do Hospital VITA Curitiba. Portanto, crianças e adolescentes com história familiar de diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares devem ter um controle mais rigoroso da alimentação e procurar praticar atividade física regularmente.

Mudanças na dieta

De nada adianta tentar ensinar uma criança a se alimentar corretamente se os pais não fazem o mesmo. A criança é reflexo dos pais e do ambiente onde vive", diz Juliana. Segundo ela, hábitos alimentares e de atividade física mais saudáveis devem ser adotados por toda a família, e de forma diária, constante. "Alimentação correta é também uma forma de educar os filhos, é um dever dos pais", acrescenta.

Os tipos de diabetes

Diabetes Mellitus é uma doença caracterizada por níveis elevados de glicose no sangue (hiperglicemia). Isso ocorre devido à falta ou à resistência à insulina, hormônio responsável por levar a glicose do sangue para dentro das células. As consequências do diabetes incluem problemas cardiovasculares, cegueira e insuficiência renal. O Diabetes é classificado em três tipos principais:

  • Tipo 1

Congênita, a pessoa já nasce com predisposição de desenvolver um quadro onde as células produtoras de insulina são destruídas pelo próprio organismo; a falta de hormônio precisa ser suprida com injeções diárias.

  • Tipo 2

Adquirida, mas também tem fatores hereditários; a obesidade predispõe à enfermidade, caracterizada não pela falta de insulina, mas por uma resistência à substância; o tratamento costuma ser medicamentoso.

  • Gestacional

Desenvolvida pela mulher durante a gravidez; afeta em média 7% das gestantes; ocorre por que os hormônios produzidos pela placenta podem bloquear parcialmente a ação da insulina.