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Áreas de Atuação

Baixa Libido – o papel dos hormônios

Por Drª Daniele C. Tokars Zaninelli*

Existe relação da libido com os níveis hormonais?
Sim, a maior parte das disfunções hormonais pode se manifestar com baixa libido, porém é importante lembrar que a libido está relacionada a muitas áreas da vida da mulher, e além do estado de saúde (que envolve as alterações hormonais), fatores como humor, cansaço, estresse e questões do relacionamento são muito importantes.

Como usar os hormônios a favor da libido?
Uma vida sexual saudável depende da interação entre múltiplos fatores, como uso de medicamentos, problemas psicológicos, questões do relacionamento com o parceiro, e problemas de saúde, entre eles as alterações hormonais.

E como saber se a culpa é dos hormônios?
É importante realizar uma avaliação clínica completa, que vai indicar quais os exames necessários para avaliar não só os níveis hormonais, como também as condições gerais de saúde.
Quando a avaliação clínica evidencia que existem alterações hormonais como as citadas abaixo, o manejo dessas condições poderá contribuir com a melhora da libido.

- Hipotireoidismo: a deficiência do hormônio tireoideano pode levar à baixa libido. Seu diagnóstico é simples, com a dosagem do TSH. O tratamento adequado reverte os sintomas.

- Aumento da prolactina: pode ser decorrente, por exemplo, de problemas na hipófise ou uso de medicamentos. Há uma queda dos níveis dos hormônios sexuais, e além da baixa libido pode se manifestar com alterações menstruais e galactorréia. A causa do distúrbio deve ser investigada, e o tratamento adequado é capaz de normalizar a secreção dos hormônios sexuais.

- Tanto a falta como o excesso de cortisol podem levar à disfunção sexual.

- Gestação e Amamentação: durante a gestação, o período pós-parto e a amamentação, muitas mulheres percebem redução da libido, o que não sofre influência exclusiva das variações hormonais típicas dessa fase, mas também do cansaço e das mudanças na imagem corporal e na rotina do casal. Nessa fase os problemas da tireóide se tornam mais comuns.

- Ooforectomia (retirada cirúrgica dos ovários) e Menopausa: existe um desequilíbrio entre os níveis de hormônios femininos e masculinos no corpo da mulher, o que pode causar diminuição da libido. Nesses casos o tratamento de reposição hormonal pode ser benéfico.

- Doenças da hipófise também podem requerer reposição hormonal.

Existe relação dos níveis de testosterona com a libido feminina?
Ainda não existem dados conclusivos quanto á associação dos níveis circulantes de hormônios masculinos e a libido em mulheres saudáveis em idade reprodutiva.

A Endocrine Society não recomenda dosagem dos hormônios masculinos com esta finalidade, pois não existem parâmetros para associar seus níveis sanguíneos com sinais e sintomas, e tampouco com a resposta terapêutica.

Fica um alerta:
Muitas mulheres acabam se submetendo à auto medicação com testosterona pela idéia popularmente difundida de que seus níveis estariam associados à libido. Como já discutido, essa relação ainda é motivo de muita controvérsia. Nesse caso eu diria NÃO. Não há evidências científicas de que o uso de testosterona em mulheres saudáveis influencie a libido. Além disso, podem ocorrer efeitos colaterais muito desagradáveis para a auto estima feminina, como acne, queda de cabelos com padrão masculino e aumento de pêlos, além de engrossamento da voz, sendo alguns desses irreversíveis mesmo com a parada da medicação. O mesmo se aplica à DHEA, pois não existem dados suficientes com relação à eficácia ou segurança.

Em resumo: O papel desses homônios na libido feminina é limitado, e outros fatores como questões do relacionamento e o humor parecem ser muito mais importantes.

Como é feita a Abordagem terapêutica da baixa libido?
Mulheres com queixas sexuais geralmente se beneficiam de uma abordagem que inclua além de tratamento médico, quando necessário, uma avaliação de problemas emocionais e do relacionmento.

Sempre devemos avaliar o uso de medicamentos que podem levar à disfunção sexual como efeito colateral, otimizando o tratamento da ansiedade ou depressão, se houver.

Tratar problemas de tireóide ou outras alterações hormonais com o especialista, que irá avaliar os riscos e benefícios da terapia hormonal. Lembrar que a mesma requer monitoração frequente.

Especialmente na pós menopausa, além dos fatores hormonais relacionados à baixa libido, devemos sempre avaliar:a presença de doenças crônicas, questões do relacionamento com o parceiro, estresse e alterações de humor.

3 Dicas de atitudes que podem dar um empurrãozinho na libido:

  1. Mudança de hábitos: uma alimentação equilibrada e a prática regular de exercícios físicos podem reduzir o estresse e melhorar as condições de saúde de uma maneira geral.
  2. É importante verificar o uso de medicamentos para ansiedade ou depressão, que podem interferir na libido, e muitas vezes precisam ser trocados.
  3. Outra dica importante é quanto à atenção que se dá ao sono. A maioria das pessoas precisa de 7 a 9 horas de sono por noite. Um estudo mostrou que no dia seguinte a uma boa noite de sono houve melhora da libido em mulheres, quando se comparou a menos horas de sono. Alguns pesquisadores sugerem que questões hormonais relacionadas ao sono poderiam afetar a resposta sexual, mas outras bases neurobiológicas ainda precisam ser melhor estudadas.

Outra questão a ser levantada é: se uma mulher tem mais tempo para dormir, ela também teria mais disponibilidade para o sexo?

Não existe um número de horas de sono que possa ser aplicado para todas as pessoas, o importante é se dar a oportunidade para que o sono seja suficiente e de boa qualidade, pois isso é importante para o humor, a saúde, e tantos outros aspectos do dia a dia!

 

*Daniele C. Tokars Zaninelli é médica e especialista em Endocrinologia e Metabologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e atua como endocrinologista em Curitiba.